
O turismo esportivo vem ganhando espaço no mercado brasileiro e deixando de ser uma atividade restrita aos torcedores que viajam exclusivamente para acompanhar seus clubes. Cada vez mais, grandes competições internacionais se transformam em oportunidades para movimentar hotéis, companhias aéreas, agências de viagens, transportadoras e empresas de receptivo, consolidando o esporte como um importante indutor de viagens.
Para Joaquim Lo Prete, General Manager da ABSOLUT Sport no Brasil, o comportamento do consumidor está mudando. Embora a partida continue sendo o principal motivo do deslocamento, cresce o interesse por experiências que combinem esporte, hospedagem, gastronomia e atividades turísticas no destino.
“O evento esportivo passa a ser o motivo da viagem, mas o roteiro também envolve hospedagem, gastronomia, passeios e experiências no destino”, afirma o executivo.
Segundo Lo Prete, o avanço de clubes brasileiros nas principais competições continentais provoca uma reação quase imediata na procura por pacotes turísticos, especialmente quando existe a possibilidade de confrontos entre equipes nacionais nas fases decisivas.
Esse movimento, entretanto, não beneficia apenas as empresas diretamente ligadas ao futebol. A circulação de torcedores entre cidades e países gera oportunidades para diferentes segmentos da cadeia turística, ampliando o impacto econômico das competições para além dos estádios.
Planejamento e segurança ganham importância
Um dos maiores desafios desse mercado está na imprevisibilidade dos resultados esportivos. Diferentemente de uma viagem convencional, a decisão de compra muitas vezes depende da classificação de um clube, que pode acontecer poucas semanas antes do evento.
Para enfrentar essa dificuldade, empresas especializadas precisam estruturar operações com antecedência e desenvolver alternativas que ofereçam maior flexibilidade ao consumidor.
A ABSOLUT Sport, por exemplo, criou a campanha Final sem Risco, que permite ao torcedor recuperar 80% do investimento ou converter 100% do valor pago em créditos para outras experiências da empresa, com utilização até o final de 2027, caso seu clube não avance à decisão, conforme as condições da campanha.
A iniciativa procura reduzir a insegurança de quem deseja organizar a viagem antes da confirmação dos finalistas.
“O planejamento começa muito antes da definição dos finalistas. A preparação da edição seguinte começa praticamente no encerramento da anterior, quando analisamos os aprendizados da operação e ajustamos processos”, explica Lo Prete.
De acordo com o executivo, grandes finais internacionais exigem operações complexas, com profissionais especializados, parceiros locais e equipes de suporte capazes de atender milhares de torcedores em um curto intervalo de tempo.
Credibilidade influencia a decisão de compra
Outra mudança observada no comportamento dos viajantes está relacionada à segurança na contratação dos serviços.
Para Lo Prete, o consumidor passou a avaliar com mais atenção a procedência dos pacotes, a credibilidade das empresas e a existência de credenciamentos oficiais.
“O preço continua sendo importante, mas deixou de ser o único fator determinante”, destaca.
O executivo ressalta que a presença de ofertas não oficiais no mercado reforça a importância de contratar empresas com experiência e reconhecimento na organização de viagens para grandes eventos.
Nesse contexto, serviços que reúnem ingressos, hospedagem, transporte e experiências diferenciadas podem ganhar relevância, sobretudo entre consumidores que buscam conveniência e segurança.
Agências de viagens encontram nova fonte de receita
Além das operadoras especializadas, o crescimento do turismo esportivo representa uma oportunidade para as agências de viagens tradicionais ampliarem seus negócios.
Segundo Lo Prete, o segmento reúne serviços que já fazem parte do cotidiano dos agentes, como passagens aéreas, hospedagem e transporte, acrescentando produtos específicos, como ingressos, hospitalidade e experiências relacionadas às competições.
“Existe bastante espaço para as agências tradicionais. O turismo esportivo pode ser uma nova frente de receita justamente porque combina produtos que o agente já conhece”, afirma.
Para aproveitar esse mercado, entretanto, é fundamental conhecer as particularidades de cada competição, incluindo regras de comercialização, categorias de ingressos e canais oficiais.
A parceria com empresas especializadas e credenciadas também aparece como uma alternativa para os agentes que desejam ingressar no segmento sem assumir toda a complexidade operacional dos eventos.
Brasil tem potencial para desenvolver o segmento durante todo o ano
Com um calendário que reúne futebol, automobilismo, tênis, surfe e outras modalidades, o Brasil dispõe de condições para ampliar a participação do turismo esportivo na atividade turística nacional.
Na avaliação de Joaquim Lo Prete, o principal desafio está em integrar de maneira mais consistente os eventos esportivos à cadeia tradicional do turismo, transformando competições em produtos capazes de atrair visitantes e estimular uma permanência maior nos destinos.
“O principal passo é enxergar o esporte não apenas como evento, mas como um ativo turístico, integrando essas competições à cadeia tradicional do turismo”, defende.
Essa integração pode favorecer a criação de roteiros que incluam hospedagem, gastronomia, passeios e experiências locais, ampliando as possibilidades de consumo durante a viagem.
Para o executivo, a mudança de comportamento do público indica que existe espaço para o desenvolvimento de produtos cada vez mais completos.
“O torcedor não quer apenas ir ao jogo: ele escolhe viajar porque existe um evento que vale a pena ser vivido presencialmente”, conclui.














