
O turismo movimentou R$ 17,2 bilhões na cidade do Rio de Janeiro no primeiro semestre de 2026, impulsionado pela passagem de 6,4 milhões de visitantes pela capital fluminense entre janeiro e junho. O resultado representa crescimento de 2,8% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo balanço divulgado pela Riotur em agosto.
Do impacto econômico total, R$ 11,3 bilhões foram gerados por turistas brasileiros e R$ 5,9 bilhões por visitantes estrangeiros. Os números ajudam a dimensionar não apenas a força do turismo para a economia carioca, mas também o potencial de consumo que chega a restaurantes, lojas, meios de hospedagem, transportes, atrações e prestadores de serviços espalhados pela cidade.
Para os negócios locais, no entanto, aproveitar esse fluxo começa antes mesmo de o turista chegar ao estabelecimento. Com o planejamento das viagens cada vez mais conectado ao ambiente digital, pesquisas sobre onde comer, o que fazer, onde comprar e quais experiências viver fazem parte da jornada do visitante.
Para Lucas Trindade, especialista em vendas e estratégias de crescimento, o digital se tornou uma espécie de vitrine permanente dos destinos e de seus negócios.
“O turista não começa a consumir quando entra na loja ou senta no restaurante. Muitas vezes, essa decisão começa no celular, quando ele pesquisa o que fazer, onde comer ou o que vale a pena conhecer. Para o negócio local, estar bem posicionado digitalmente deixou de ser apenas uma questão de divulgação e passou a fazer parte da experiência do consumidor”, afirma.
Da busca online à experiência presencial
Avaliações, localização, preços, redes sociais e informações disponíveis nos mecanismos de busca podem pesar na decisão de consumo. Por isso, aparecer para o visitante é apenas uma etapa do processo. A experiência encontrada no estabelecimento precisa corresponder à expectativa construída no ambiente digital.
Filipe Brandão, estrategista de negócios, chama a atenção para a importância de uma experiência omnicanal, conectando posicionamento, presença digital, localização, atendimento, reputação e experiência presencial.
“A jornada do turista começa muito antes da chegada ao estabelecimento. Ele pode descobrir uma marca no Google, validar a escolha pelas avaliações, conhecer seu posicionamento nas redes sociais e só depois decidir comprar. Por isso, SEO, GEO, presença digital e experiência presencial precisam contar a mesma história. Não basta ser encontrado, é preciso construir confiança e entregar uma experiência coerente com aquilo que a marca prometeu”, explica.
Nesse cenário, o aumento do número de visitantes cria oportunidades também para pequenos e médios negócios que nem sempre estão diretamente associados à cadeia tradicional do turismo. O gasto do viajante se distribui por diferentes atividades ao longo da estadia, fazendo com que o impacto econômico alcance diversos segmentos da cidade.
Mais turistas e vendas maiores não significam necessariamente mais lucro
O volume de recursos movimentado pelo turismo traz ainda outro desafio para os empreendedores: transformar o aumento da demanda em resultado financeiro efetivo.
Em períodos de maior movimento, a necessidade de ampliar estoques, contratar funcionários, aumentar horários de funcionamento ou reforçar a estrutura pode elevar os custos da operação. Sem planejamento, o crescimento das vendas pode não se refletir na mesma proporção no caixa da empresa.
Para Simone Santolim, especialista em gestão financeira estratégica, esse é um ponto que merece atenção especialmente entre pequenos negócios.
“Movimento não significa necessariamente lucro. O empreendedor precisa saber quanto realmente sobra de cada venda e entender se o aumento da demanda está contribuindo para o caixa ou apenas aumentando custos. Antes de contratar, comprar estoque ou ampliar a operação, é preciso colocar essa conta no papel”, destaca.
Segundo a especialista, a busca por aproveitar períodos de maior fluxo não deve ocorrer sem uma análise da capacidade operacional e das margens do negócio.
“Quando existe um aumento de circulação de pessoas, a primeira reação do empreendedor costuma ser querer vender mais a qualquer custo. Mas aumentar vendas sem olhar margem, custos e capacidade de operação pode gerar uma falsa sensação de crescimento. O objetivo precisa ser transformar demanda em resultado”, acrescenta.
Turismo amplia oportunidades para a economia local
Os R$ 17,2 bilhões movimentados pelo turismo carioca apenas nos seis primeiros meses de 2026 mostram como a atividade se espalha pela economia da cidade. Para além de hotéis e atrações turísticas, setores como alimentação, mobilidade, comércio e serviços participam diretamente dessa circulação de recursos.
Para os pequenos negócios — inclusive aqueles liderados por mulheres —, o avanço do turismo representa uma oportunidade de conquistar novos consumidores. Aproveitá-la, porém, exige uma combinação de visibilidade digital, boa reputação, experiência consistente e gestão financeira.
Em uma cidade que recebeu 6,4 milhões de visitantes em apenas seis meses, a disputa pelo gasto do turista pode começar em uma busca no celular. O desafio para os negócios cariocas é garantir que essa jornada termine não apenas em uma venda, mas em uma operação sustentável e rentável.














