Foto: Acervo

A Proteção Animal Mundial divulgou nesta quarta-feira (5) o relatório “De Olho na Indústria do Turismo – Responsabilidade com a Vida Silvestre: Brasil”, realizado em parceria com a Universidade de Surrey, do Reino Unido. O documento avalia globalmente 22 grandes nomes do turismo. O relatório Brasil contempla oito dessas empresas que comercializam por aqui produtos turísticos como pacotes, passeios e experiências. A avaliação identificou quatro empresas de viagens – CVC, Decolar.com, GetYourGuide e Trip . com – que continuam falhando severamente com animais silvestres, vendendo e promovendo performances e interações nocivas e exploradoras no estilo circense, incluindo passeios e banhos de elefantes, selfies com filhotes de tigre, macacos ou araras e atividades de nado com golfinhos ou alimentação de botos amazônicos, por exemplo.

Por outro lado, Airbnb e Booking.com reforçaram a proteção à vida selvagem ao removerem proativamente de suas plataformas o entretenimento de vida selvagem em cativeiro. Expedia, por sua vez, se comprometeu em 2021 a encerrar a venda de atrações com golfinhos em cativeiro, mas foram encontradas ofertas para outras atrações com animais silvestres, o que contraria suas políticas. Já o Tripadvisor/Viator removeu a venda de ingressos para entretenimento de animais selvagens em cativeiro, mas continua a promover o turismo de exploração por meio de imagens e avaliações em seu site. Todas essas empresas pediram à Proteção Animal Mundial, organização não-governamental que trabalha em prol do bem-estar animal, a orientação para melhorar seu comprometimento junto à vida silvestre.

Com a chegada da temporada de férias de inverno, a Proteção Animal Mundial pede aos turistas para que fiquem atentos antes de fazerem suas reservas e para que se certifiquem de que a agência ou plataforma de viagens escolhida não esteja promovendo ou comercializando atrativos que envolvam a exploração dos animais silvestres, no Brasil ou no exterior. Dentro do conceito de turismo responsável, assim como a cadeia produtiva do setor deve se preocupar com impactos das atividades e produtos que comercializa, aprimorando a oferta, também os consumidores podem e devem assumir uma postura verdadeiramente consciente em relação a suas escolhas e comportamentos, freando a demanda que sustenta práticas inadequadas.

“Esse é um trabalho primordialmente propositivo. A intenção do olhar sobre o setor de turismo é entender o quanto ainda persistem práticas ultrapassadas envolvendo animais silvestres. A partir daí, buscamos tanto reconhecer as empresas que já se moveram e estão evoluindo quanto identificar aquelas que ainda têm problemas nos catálogos. Em qualquer dos casos, compartilhamos previamente os resultados individuais de desempenho com elas, bem como recomendações detalhadas do que deve ser corrigido, eliminado ou criado. Queremos que elas melhorem e isso é interessante para elas em termos de reputação. As pioneiras já se apresentam como tal e se tornam exemplos para concorrentes e atrativas para consumidores”, detalha David Maziteli, gerente de Vida Silvestre da Proteção Animal Mundial.

Sobre os desempenhos registrados, ele esclarece: “Transparência é chave. Fazemos as pesquisas a partir de informações públicas, seguindo a mesma perspectiva que está disponível para todo e qualquer comprador potencial. Entre as empresas com resultados fracos, muitas vezes há problemas concretos. Mas, frequentemente, essas empresas também pecam porque falham em termos de transparência pública. Por exemplo, não publicam uma política específica de compromisso com a vida silvestre, ou a que há é muito fraca ou vaga. Em relação aos dois nomes brasileiros, CVC e Decolar.com, ainda que vendessem produtos inadequados com vida silvestre, uma grande falha notada para o desempenho realmente fraco foi a falta de sinais públicos de compromissos e de intenções de serem amigas dos animais”.

  • Mais sobre a avaliação

Encomendado pela Proteção Animal Mundial e realizado pela Universidade de Surrey, “De Olho na Indústria do Turismo – Responsabilidade com a Vida Silvestre: Brasil” selecionou e examinou as empresas de viagens pelo seu alcance internacional e por país/operações regionais. Analisou de forma independente os compromissos que as empresas de viagens assumiram ou não publicamente.

As empresas foram pontuadas em quatro áreas principais: 

1.            Comprometimento: Disponibilidade e qualidade das políticas de bem-estar animal publicadas e sua aplicabilidade a todas as suas marcas.

2.            Metas e desempenho: Disponibilidade e escopo das metas publicadas com limite de tempo e relatórios sobre os progressos realizados no cumprimento dos compromissos de bem-estar animal.

3.            Mobilização da cadeia de fornecimento: disponibilidade e qualidade do envolvimento com fornecedores e a indústria em geral, para implementar mudanças amigáveis à vida silvestre.

4.            Mobilização da demanda de consumo: disponibilidade e qualidade de conteúdo educacional sobre bem-estar animal e ferramentas para capacitar os consumidores a fazer escolhas de viagem favoráveis aos animais silvestres.

A Proteção Animal Mundial então verificou se eles ofereciam cinco grupos de “atrações com animais” exploratórias comuns:

•             Atrações de elefantes, como passeios, shows ou experiências de banho ou lavagem dos animais;

•             Atrações de primatas, como experiências de acariciar ou oportunidades de alimentação com as próprias mãos;

•             Atrações de grandes felinos, como selfies, passeios, shows ou experiências de acariciar;

•             Atrações com golfinhos, como performances ou experiências de nado em conjunto;

•             Atrações da vida silvestre em geral, como shows, passeios ou quaisquer experiências interativas diretas com outras espécies de animais selvagens.

  • Esforço continuado

A Proteção Animal Mundial tem mobilizado a indústria de viagens a encerrar as vendas de entretenimento de animais silvestres há mais de uma década. O foco inicial esteve em interromper as ofertas para passeios e shows de elefantes, e resultou na bem-sucedida mudança de práticas do Tripadvisor e outras grandes marcas. Em 2019, ampliamos o foco para incluir o tema dos golfinhos em cativeiro e, desde então, sensibilizamos Expedia, Virgin Holidays, Booking.com e outras para abandonarem as vendas de golfinhos e/ou elefantes em cativeiro e se tornarem “amigas da vida silvestre”.

Na segunda-feira (3), a britânica Thomas Cook, umas das mais tradicionais marcas do turismo internacional e repaginada como agências de viagens online (OTA), anunciou que irá cessar a comercialização de ingressos para interações com golfinhos e baleias em cativeiro, dando continuidade ao que já havia adotava em relação às atrações com orcas. A empresa optou por relançar suas ofertas, focando em experiências de observação de baleias e golfinhos, permitindo que as pessoas admirem esses animais em seu próprio habitat.

Para mais informações sobre as melhores práticas do setor e como viajantes podem fazer a diferença, a Proteção Animal Mundial oferece o “Guia do Turista Amigo dos Animais”, além de diversas informações sobre o respeito à vida silvestre no site da Organização.