Foto: Infraero/Divulgação

Levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), a partir de 21 produtos e serviços do Índice de Preços ao Consumidor (IPC/FGV) indicou que os preços dos principais itens relacionados ao período de inverno tiveram uma queda de 4,40%, em média, nos últimos 12 meses. Dentro da cesta de inverno, seis itens compõem a “inflação de férias”, que acumulou deflação de 10,63% no mesmo período.

Esses resultados foram fortemente influenciados pela queda de 21,13% das passagens aéreas. Se retirado apenas este item da cesta, a “inflação das férias” sobe para 3,77% e a “inflação de inverno” para 3,63%, ligeiramente acima da inflação geral computada pelo IPC-DI, que ficou em 2,23%. No mesmo período do ano passado, essa mesma cesta acumulava 37,44% de aumento em 12 meses, enquanto a inflação geral era de 10,30%.

Esse período de julho é a época de férias escolares, e justamente o grupo de serviços de entretenimento e turismo foi o principal ponto de descompressão na inflação de inverno. As passagens aéreas, que tinham visto seu preço mais do que dobrar de 2021 para 2022 (acumulado de 143,72% no período), passaram a apresentar a maior deflação da cesta.

“A exemplo da maioria dos setores na economia atualmente, os custos diretos (querosene de aviação, sobretudo, que depende de petróleo e dólar) estão em franca queda desde o final do ano passado e, mesmo o fator sazonal, que tende a pressionar os preços nessa época do ano, não tem sido o suficiente para contrabalancear o choque benéfico de custos”, explicou o pesquisador do FGV IBRE Matheus Peçanha. Ele acrescenta que, no entanto, a inflação dos demais serviços desse segmento refletem a situação da inflação de serviços do pós-pandemia, com pressão de demanda trazida pela retomada, que ainda persiste, embora em ritmo menos acelerado que o do ano passado.

Peçanha conta que o custo de se manter aquecido nesse inverno também está desacelerando, seja com bebidas quentes, que tiveram ligeira deflação, graças, sobretudo, ao café com leite, ou tomando aquele banho quentinho, com o ritmo de aumento do gás encanado freando significativamente em relação ao ano passado.

Pelo lado dos produtos, a cesta de itens têxteis teve um aumento médio de 7,30%, enquanto os medicamentos subiram em média 6,71%, ambos demonstrando desaceleração em relação ao ano passado.

Para o economista da FGV IBRE Matheus Peçanha, os números dessa cesta de inverno são reflexo genuíno do processo desinflacionário que a economia brasileira vem experimentando. “Os custos de diversas matérias-primas têm caído consistentemente mês após mês, desde o final do ano passado. Esse processo de repasse para o consumidor final até demorou para engrenar, mas acabou acontecendo especialmente a partir do segundo trimestre, e a tendência é que esse processo se aprofunde ao longo do ano”, explicou.

Com informações do Jornal O Dia